sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Conheça um segredo importante sobre o Escudo do Mestre (principalmente em D&D)

Bom dia, RPGistas! Hoje volto, finalmente, a postar artigos no site, após um tempo produzindo outras mídias. Neste texto, irei mostrar para vocês algo de muita importância que envolve o Escudo do Mestre. A ideia do artigo veio de um questionamento feito por um dos membros de nosso grupo de facebook, o grupo do Pensando Dungeons & Dragons.

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Na postagem em questão, ele falava sobre um jogador muito azarado de sua mesa. Explicava que este jogador se esforçava muito para criar personagens legais, mas que, por muito azar, eles estavam morrendo consecutivamente. Ele perguntava, então, qual seria a solução para esse problema.


Naturalmente, muitos (e eu me incluo nesses) deram a ideia de ele utilizar o Escudo do Mestre de modo a poder controlar melhor os resultados dos dados e evitar uma nova morte. Afinal, para os que não sabem, o Escudo é basicamente uma estrutura (seja de papelão, cartolina ou um castelo, como na foto acima) que impede os jogadores de verem as rolagens do Mestre do Jogo.

Sugerir que alteremos alguns valores dos dados, no entanto, invoca algumas questões, como, por exemplo, o Mestre do Jogo deveria fazer isso? Ele deveria controlar os resultados ou não? Bem, eu, particularmente, uso pouco o Escudo, uso mais como um artifício para que os jogadores não saibam que fiz algumas rolagens, como de furtividade de inimigos, tentativa de roubos, manipulação e etc... Afinal, não quero que eles fiquem alertas em momentos em que os personagens não estariam, que usem a informação de que me viram rolar algo para "investigar", "prestar atenção", etc...

No entanto, em alguns combates e situações sensíveis eu posso fazê-lo. E aqui explicarei o porquê, especialmente para os jogadores de D&D, que se utiliza majoriamente do d20, um dado que acaba por gerar uma enorme variância.

Variância é a palavra-chave. Atenção!

E é neste ponto em que a utilização do Escudo do Mestre se torna essencial, na minha opinião. Não para controlar o jogo ou os resultados. Um personagem morrer faz parte. Um vilão rolar mal e coisas incríveis acontecerem faz parte - e é extremamente divertido. No entanto, a variância, especialmente num d20, pode ser brutal. Em sistemas como o do GURPS, em que se rola 3d6, ela é radicalmente reduzida. No entanto, ela ainda assim pode ser brutal. A questão é que nos sistemas em que se usa o d20 a questão da variância é ainda mais importante, como podemos ver no gráfico abaixo:


Observando o gráfico de um sistema com 3d6 e de um com d20, nota-se que a variância é muito maior com o dado de 20 lados. No primeiro, tende-se a tirar uma variedade de números menores, sendo muito mais difícil de se tirar um 3 (muito baixo) ou um 18 (muito alto) do que os números médios. Isso significa, por exemplo, que se um NPC for muito mais forte do que um jogador, ele será mais dificilmente superado por uma mera questão de sorte. Já no caso do d20, a chance de se tirar os espectros mais afastados do dado (1 e 20) é a mesma dos números médios (9, 10, 11). Além disso, pela grande variação dos números, o desvio do padrão esperado de resultados pode ser enorme.

E o que seria esse desvio?

Sim, esta seria a pergunta que muitos fariam. O que seria este desvio? Pois bem. Se eu rolasse o d20 milhões de vezes, a tendência seria que o número de vezes em que 1 ou 2... ou 20 sairão no dado seja a mesma, ou algo muito aproximado para cada um dos números do dado. É claro que, em teoria, você poderia rolar 1 milhão de vezes 1. No entanto, a tendência, num dado não viciado, é que se tenha um número muito parecido de Uns e de Vintes, assim como todos os outros números.

Todavia, como fica claro, isso pode demorar MUITO tempo para acontecer.

E o que isso significa no jogo?

Deste modo, dentro do jogo, um NPC seu ou um jogador podem ter séries de sorte ou azar extremamente longas. Séries, muitas vezes, muito mais longas do que uma sessão. Logo, numa determinada batalha, seus jogadores podem tirar números excepcionalmente baixos, com um desvio muito grande do esperado, enquanto os inimigos rolam apenas números altos e críticos (com um desvio também muito grande do padrão esperado).

Por este motivo, é papel do mestre identificar esses momentos, que podem ser extremamente injustos e retirar a diversão do jogo (como no caso de um jogador muito esforçado morrer repetidamente e sem cometer nenhuma besteira) e, então, utilizar o Escudo para controlar um pouco esta variância. E, novamente, vale lembrar que não advogo que isso seja feito com muita frequência, afinal, isso também pode tirar muito da diversão. Porém, entender o que é a variância e como ela funciona para poder evitar situações como a mencionada no grupo é extremamente importante.

Por isso, achei interessante fazer este artigo: para 1) Mostrar um pouco mais dos usos do Escudo do Mestre, afinal, nem todos conhecem e 2) Passar esse entendimento para os mestres que estão por aí para que eles possam tomar uma decisão mais informada na hora de utilizar o Escudo para alterar algum resultado ou não.

Enfim! Espero que tenham gostado do artigo. Estarei por aí pelos comentários para conversar e gostaria de ouvir umas histórias de muito azar ou muita sorte do pessoal!

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12 comentários:

  1. Olá, comecei a acompanhar seu trabalho a pouco tempo e estou gostando bastante, encontrei uma duvida que não consegui sanar na minha ultima aventura, eu sou um ranger na campanha e encontrei (meu grupo e eu matamos todos adultos) um ovo de grifo, quanto tempo em media levaria para um grifo ficar na idade adulta, e eu encontraria alguma magia para acelerar isso em D&D?


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    1. Aí também não sei, quanto tempo duraria, cabe ao mestre definir ou pesquisar. Mas sim, no D&D há magias que podem fazer o bicho envelhecer, na quinta edição são bem raras, só uns efeitos de undead e uma chance pequena com Wild Magic. E, a mais útil talvez para você, possa ser Enlarge. Você faz o Grifo crescer e ficar grande e forte o suficiente para te carregar. Arrumar magias ou poções disso, quem sabe um quest por um item que dê enlarge podem ser pontos de trama interessantes.

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    2. vou comentar com o mestre! Obrigado

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    3. eu gosto muito de jogar e mestrar rpg assim como você, também curto ajudar meus amigos a melhorar sempre, há alguma vaga para escrever para o blog?

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    4. Cara, por enquanto não, até agora os artigos e tal, são mais coisas minhas. Se eventualmente ficar mto mto grande, posso pensar em trazer mais gente pra escrever.

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  2. Ah, mas em um dos seus podcasts vc disse que não jogava dados atrás do escudo e deixava morrer mesmo

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    1. Lê o texto com atenção e vai ver o podcast. No texto falo que uso mais para evitar metagame, como falei no podcast. Mas em alguns poucos casos sensíveis, posso rolar sem eles verem. No podcast provavelmente falei isso tb, que em uma ou outra rolagem rolo sem os jogadores perceberem, discretamente. E nesse mesmo texto falo, é só ler com atenção: jogador morrer? Sem problemas, faz parte da diversão. O problema é quando se tem um grande momento de azar como o problema citado pelo cara do grupo, em que um jogador só por muito azar morria o tempo inteiro.

      Dá uma lida com calma que tá tudo aí.

      Vou até colar a citação, mas antes de comentar acusando incoerências é bom ler o texto todo.

      "E é neste ponto em que a utilização do Escudo do Mestre se torna essencial, na minha opinião. Não para controlar o jogo ou os resultados. Um personagem morrer faz parte".

      Tá aí a cotação deixando bem claro que deixo morrer. Mas abaixo que coloco que em casos sensíveis é bom entender a variância para decidir se altera resultados ou não.

      "Por este motivo, é papel do mestre identificar esses momentos, que podem ser extremamente injustos e retirar a diversão do jogo (como no caso de um jogador muito esforçado morrer repetidamente e sem cometer nenhuma besteira) e, então, utilizar o Escudo para controlar um pouco esta variância. E, novamente, vale lembrar que não advogo que isso seja feito com muita frequência, afinal, isso também pode tirar muito da diversão. Porém, entender o que é a variância e como ela funciona para poder evitar situações como a mencionada no grupo é extremamente importante".

      Tá bem claro que o texto é para se pensar em exceções. Você parece que lê os textos e ouve os podcasts exclusivamente para achar algum erro ou incoerência cara, e volta e meia ignora informações que já estão lá. As informações estão todas aí, às vezes fica cansativo.

      Fora isso, o podcast foi feito meses atrás. Após meses, eu poderia mudar minha concepção de jogo, ainda mais mestrando 3 vezes por semana. No entanto, não foi o caso, continuo fazendo igual. Porém, caso tivesse mudado a concepção e o estilo de mestrar, teria mencionado isso no texto.

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  3. Me permita adicionar mais uma utilidade ao escudo do mestre:
    Ele serve para utilizar a regra do " jogue os dados e grite".
    Se seus jogadores fazem algo completamente inesperado, que você não tinha previsto de forma nenhuma (e que seja criativo, claro) ao invés de simplesmente responder " não aconteceu nada" você pode inventar um prosseguimento na hora e rolar os dados apenas para que eles vejam que a aventura está andando. Ou pode ainda inventar duas ou mais hipóteses e estipular na hora um resultado tipo: par funcionou, ímpar não. Ou, 30% de chance de dar certo, então acima de 7 em um dado de 10, funcionou.
    o cara que me ensinou essa regra deu o seguinte exemplo: Os personagens estavam fugindo e se viram encurralados na sala onde estava a estátua gigante do gorila sagrado. Sabendo que seria difícil sair lutando e sem idéias de como se defender, um dos personagens caiu de joelhos e fez uma oração sincera de socorro ao gorila sagrado. o mestre poderia perfeitamente ter dito que nada aconteceu, mas ao invés disso, estipulou uma chance para o gorila responder e jogou os dados. Sucesso! Saiu uma lágrima do olho do gorila que caiu junto ao pedestal onde ele se encontrava. Ali, havia uma porta que levava a uma passagem secreta e os jogadores escaparam.
    Muito mais legal do que responder: É apenas uma estátua, nada aconteceu.

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    1. Muito legal a ideia e exemplo. Na verdade é o mestre também dando espaço para os jogadores serem criativos e tal. Muito legal mesmo. Aconselho a todos lerem o comentário e usarem =)

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  4. Muito bom o artigo Leo, como sempre! ^,^
    Eu uso muito o escudo do mestre, (embora não tenha um kkkkkk eu geralmente jogo com meu notebook em mãos, e faço as rolagens em programas de dados online) E já usei esse artifício para evitar mortes injustas contra meus jogadores. Houve uma ocasião em que eu fui tentar um sistema novo que eu tinha criado, porem na ocasião eu havia calculado mal a força dos inimigos e na primeira batalha do jogo eu quase matei um dos meus jogadores... Uma situação como essa seria extremamente injusta, então me senti na obrigação de usar o escudo do mestre para mudar os resultados da batalha.
    Enfim, é uma dica muito boa essa que vc deu, sei que vai ser útil para muita gente. ^,^

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  5. Escudo do mestre é covardia e pura chatisse, nada que um pouco de criatividade e jogo de cintura não resolva sem precisar recorrer a subterfúgios, nada faz uma aventura fluir tanto quanto e deixar os jogadores por vezes tão confiantes, quanto cautelosos do jogar os dados na mesa de cara limpa e todos verem o resultado. Aí vai da criatividade do mestre estipular o que aquele resultado representa. Na prática, pode-se manipular tranquilamente essas "variabilidades" da mesma forma que se escondendo atrás do escudo, pois o dado não conversa e não narra a história, um 20 ou 1 as vezes podem significar apenas um "sucesso" ou "falha", ou mesmo, ao rolar um resultado inesperado para algum acontecimento que estrague algo super legal que tenha preparado, apenas com um jogo de cintura , tocar o baile com um sorriso malvado inventado uma estipulação de um tipo de teste que funciona diferente, que as probabilidade snão dependiam do número em sí, ams se fosse par ou ímpar, ou se fosse algo super raro, que sependesse d eum número p´rímo, caso necessário se explciar para o player, coisa que nunca foi necessário. isso inspira confiança e integração, e mesmo rolando fora do escudo, gera aidna um certo mistério e tensão em muitos momentos. é muito mais fácil construir uma sessão cheia de suspense também dessa forma.

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